Técnicas de memorização nos estudos: tudo o que você precisa saber!

Os estudos voltados para concurso público são, sem dúvidas, um desafio para a memória. É que a aprendizagem, nesse processo, se dá a longo prazo, pois, normalmente, os intervalos entre uma prova e outra são consideráveis. Ademais, as avaliações exigem conhecimentos em áreas diversas, demandando a ativação de distintas partes do cérebro para aprender sobre os mais variados assuntos.

Nesse contexto, lembrar-se de tudo pode parecer uma missão impossível, mas não é! O segredo é entender como essa habilidade cerebral funciona e treiná-la, para que se consiga usufruir dela da melhor maneira possível. Esse fator pode ser o diferencial na aprovação para o cargo público que se deseja ocupar.

Pensando nisso, trouxemos para você informações importantes sobre a memória, bem como seis técnicas de memorização para exercitá-la. Também falaremos sobre ansiedade (um obstáculo na busca pelos seus objetivos) e, ainda, mostraremos três erros que podem dificultar o seu processo de memorização nos estudos e que você deve evitar. Confira!

Entenda de uma vez o que é memória e por que ela é importante!

O cérebro é o principal órgão do nosso sistema nervoso. Complexo, ele tem diversas habilidades. Dentre elas, está o poder de adquirir e guardar informações e experiências, bem como de resgatar aquelas já armazenadas, sendo a memória a principal responsável por isso. Ela consiste, então, na função cerebral que realiza esse processo de retenção de dados e de estados de consciência.

Para que isso ocorra, esse órgão produz reações elétricas no interior dos neurônios ― células do sistema nervoso. Esses, por sua vez, realizam a condução dos impulsos nervosos por meio de reações químicas, que estimulam novas reações elétricas, e assim por diante. Esse processo contínuo é conhecido como sinapse.

Segundo os neurologistas, existem dois tipos de memória: a não-declarativa e a declarativa. Cada uma delas está localizada em partes distintas do cérebro e é responsável por diferentes atos do dia a dia de uma pessoa.

Memória não-declarativa

É a capacidade de se lembrar de atos simples realizados rotineiramente, dos quais dificilmente se esquece. Alguns deles são tomar banho, comer e caminhar. Por esse motivo, esse tipo (também conhecido como “memória implícita”) é mais duradouro, exatamente devido ao seu uso constante.

Memória declarativa

Consiste na capacidade de resgatar recordações por meio de ações ou palavras. Ela se concentra no lobo temporal medial e no hipocampo, regiões cerebrais que têm a aptidão de realizar o processo de memorização em relação ao que é mais recente. Ela é responsável pela lembrança de dados específicos de forma consciente.

Essa segunda espécie se subdivide em memória de curto e de longo prazos, a depender do tempo de armazenamento da informação adquirida. Absorvida essa, o cérebro determina o que é relevante e será armazenado, e o que deve ser descartado. Por meio do processo denominado consolidação, a de curto pode se transformar em de longo prazo.

Isso ocorre a partir da repetição, uma vez que a prática por meio de técnicas de memorização provoca uma alteração na disposição dos neurônios, tornando-os capazes de armazenar mais informações e facilitando a transição entre os tipos de memória.

Vê-se, então, que essa é uma função essencial do cérebro. Isso porque ela está presente em atos cotidianos, quando é utilizada até mesmo sem que se perceba, e também no processo de aprendizagem por meio dos estudos, momento em que conscientemente a pessoa a ativa para absorver informações importantes.

Além disso, sem ela, o ser humano não teria a capacidade de aprender com suas experiências, já que é por meio dessa atividade cerebral que ele consegue se lembrar dos seus erros, para não mais repeti-los.

Concurso público: como a memória é sua maior aliada nos estudos!

A memória declarativa constitui a base de toda aprendizagem, ou seja, da aquisição de conhecimentos. Assim, ela é fundamental na preparação para as provas de concursos púbicos, uma vez que é por meio dessa aptidão que o cérebro armazena informações e as resgata, quando necessário. Aliás, é por meio dela que você consegue guardar fórmulas matemáticas ou químicas, regras gramaticais, leis, jurisprudências etc..

Nesse sentido, o ato de aprender depende das habilidades de obter e de se lembrar de dados conhecidos. Como visto, nesse processo, memórias do tipo curto prazo serão transformadas em de longo prazo, já que são estas que garantem o aprendizado. E, como se sabe, isso não acontece da noite para o dia: é necessário repetição, pois as sinapses são multiplicadas quando se pratica essa função cerebral.

Essa multiplicação exige que o estudo seja feito com atenção, seguido da prática do que se aprendeu e da revisão do conteúdo absorvido. Dessa forma, o processo de aprender demanda uma estratégia de estudos eficiente. Para isso, é preciso saber aproveitar ao máximo cada tipo de memória, bem como utilizar técnicas de memorização eficientes.

Tipos de memória: saiba como usar cada uma delas!

A mente humana trabalha de três formas diferentes, a partir dos sentidos. São elas as memórias visual, auditiva e cinestésica. E, para fazer com que os estudos sejam mais eficientes, o ideal é que todas elas sejam utilizadas.

Memória visual

Como o próprio nome diz, é empregada a partir da visão. O principal estímulo para ela são as imagens. É importante ressaltar que ela deve ser usufruída em locais silenciosos,  qualquer ruído pode representar uma distração.

Para utilizá-la na hora de estudar, primeiramente, procure fazer anotações durante as aulas, pois escrever também é uma forma de estimular esse sentido. Em seguida, tente aprender a matéria associando-a a fotografias, figuras, gráficos, mapas mentais e outros recursos. Você também pode fazer cartazes e fichamentos, e pregá-los na parede do quarto, por exemplo. Ao observá-los, conseguirá resgatar as informações mais facilmente.

Memória auditiva

Ela é ativada a partir do som. Assim, os momentos reservados para assistir a aulas são fundamentais, haja vista que escutar os professores ensinarem é uma forma de ter o primeiro contato com o conteúdo.

Depois, ao ler um livro ou reler anotações e resumos, faça-o em voz alta, a fim de escutar o que está sendo lido e, com isso, trabalhar melhor a memória. Vale, também, fazer gravações sobre o que você está aprendendo e, em seguida, ouvi-las. Outra sugestão é contar com livros e documentários em áudio e podcasts.

Memória cinestésica

É aquela que mistura os sentidos. Para praticá-la, não basta ler ou ouvir explicações: é necessário o movimento ou o toque, juntamente com esses atos. Faça a leitura em voz alta ao mesmo tempo em que gesticula e mexe o corpo. Dessa maneira, o cérebro cria relações entre os conceitos aprendidos e os sentidos utilizados no momento da absorção do conhecimento. Tudo isso é armazenado na memória, tornando mais fácil o processo de aprendizagem.

6 técnicas de memorização poderosas para concurseiros

Para aprender bem um conteúdo, não basta ler um texto ou assistir a aulas. Embora esses métodos sejam os mais tradicionais, o processo de aprendizagem deve ir além. Nesse sentido, as técnicas de memorização são de grande valia, pois auxiliam na tarefa de guardar na memória as tantas informações necessárias para a realização dos exames.

1. Priorizar a concentração

De nada adianta tentar aprender algo se a mente não estiver condicionada a isso. Assim, para que os estudos sejam verdadeiramente produtivos, é preciso que você busque formas de manter o foco. Para isso, é importante pensar no local, no tempo e nos instrumentos utilizados para os estudos.

Local

Para algumas pessoas, o quarto é o local ideal. Para outras, esse lugar é um mundo de distrações que impedem que elas se concentrem. Isso porque a televisão, a cama ou outros objetos podem tirar a atenção da matéria.

Nesses casos, é válido pensar em buscar uma biblioteca ou uma sala de estudos. Nesses ambientes, a probabilidade de se distrair é menor, além do fato de que o próprio clima é propício e um incentivo a mais para espantar aquela preguiça de estudar.

Tempo

O tempo é outro fator que influencia na concentração. Fazer algo por longos períodos torna-se cansativo mental e fisicamente, o que acaba prejudicando a atenção. Por esse motivo, é fundamental que você planeje uma rotina de estudo.

Defina a duração dessa tarefa e, também, os momentos de descanso, de acordo com as suas necessidades. Nestes, preze por atividades que não exijam esforço mental. Aproveite para fazer um lanche, ouvir uma música ou algo mais que do seu agrado.

Instrumentos utilizados

Observe aquele que mais é útil para você. Alguns estudantes só conseguem se concentrar e fazer os estudos renderem se utilizarem um computador. Anotar as aulas, assistir a vídeos e fazer pesquisas na internet podem ajudar.

Entretanto, para outros, o equipamento pode causar distrações, uma vez que oferece outras utilidades não relacionadas aos estudos. O acesso às redes sociais é um exemplo disso. Nessa hipótese, cadernos e livros são os meios de estudo mais apropriados.

Além disso, vale buscar formas de potencializar a concentração, e a música é uma delas. Há pessoas que preferem estudar ouvindo canções ou até mesmo sons específicos para esse fim. Outras, somente se concentram em ambientes silenciosos, quando tampões de ouvido podem ser úteis, somados a locais com um bom isolamento acústico.

2. Aprender ao ensinar alguém

Expor a matéria para quem não entenda ou saiba pouco sobre o conteúdo é, também, um método para aprender. Então, chame um amigo, um parente ou até mesmo um professor para dar “uma aula” sobre o que está estudando. Ainda, peça para que a pessoa lhe corrija ou faça perguntas, a fim de estimular o seu raciocínio e a memória.

Dessa maneira, você poderá trabalhar os conceitos, explicando-os com as suas palavras. Será possível observar se compreendeu tudo da forma correta, e se sabe repassar o conhecimento com clareza — assim como lhe será exigido em uma prova de concurso.

3. Fixar o conteúdo por meio de associações absurdas

Sem dúvidas, é muito mais fácil se recordar de objetos ou acontecimentos incomuns ou extraordinários, do que aqueles rotineiros. E, nesse sentido, a técnica das associações absurdas aplicada aos estudos é bastante eficiente.

Para exercitá-la, busque estabelecer relações entre o conteúdo da matéria e estórias ou momentos inusitados. Por exemplo: você precisa aprender o conceito de soberania de um país. Ela significa a superioridade que deriva da autoridade de um Estado perante os cidadãos e outros países. Imagine, nesse caso, um ser enorme que se coloca sobre todas as pessoas submetidas ao ente estatal e, também, sobre outras nações.

Use e abuse da imaginação nessa tarefa, pois quanto mais criativa a associação, mais fácil será para você se lembrar dela quando precisar. E isso vale para todo tipo de assunto estudado. Basta criar esses mecanismos facilitadores na hora de entender a matéria.

4. Criar uma trajetória rumo ao aprendizado

Quando se está estudando, é importante ir com calma e seguir um passo de cada vez, literalmente. Nesse sentido, outra técnica muito útil para associar listas ou sequências de acontecimentos é a da trajetória. Trata-se, mesmo, de traçar um “caminho”, no qual cada elemento ou evento a ser memorizado será uma espécie de “parada”.

Por exemplo: suponhamos que você precisa entender a evolução do Estado Liberal até o Estado Democrático de Direito. Acompanhe!

Primeira parada

No trajeto a ser percorrido, a primeira parada será uma casa que representa o Estado Liberal, onde se vê, na parede, um cartaz com a frase “Eis, aqui, um novo Estado Nação”. As pessoas comercializam e entram e saem com produtos para outras casas, e contratam umas às outras.

E mais: a compra e venda desses produtos ocorre sem a interferência do chefe da casa — no caso, o Estado.

Segunda parada

Saindo dessa casa, você segue o caminho e encontra outra, representante do Estado Social. Nela, encontra-se um proletariado que necessita de auxílio do chefe do lar para sobreviver. Esse grupo de pessoas trabalha para aquelas que concentram o poder e as riquezas e ocupam os melhores cômodos da casa.

Diante dessa discrepância, o chefe da casa passa, então, a intervir nas relações entre os grupos, bem como a intermediar as contratações.

Terceira parada

Seguindo o seu trajeto, você se depara com uma terceira e última casa, a que representa o Estado Democrático de Direito. Em seu interior, todos participam da administração, votando em chefes — não só aquele único existente nos outros locais — para decidirem sobre questões relevantes.

Percebe-se, dentre aqueles que ocupam os cômodos, uma tentativa de democratizar o acesso a eles, representando a busca por redução das desigualdades sociais. Todos seguem os lemas escritos no cartaz em uma das paredes: “Democracia e Soberania Popular”, e seguem estritamente as regras elaboradas pelos representantes eleitos (legalidade).

Viu só como elencar fatos ou acontecimentos em uma sequência mais palpável, ao mesmo tempo em que se criam estórias, pode facilitar o entendimento? Então, por que não aplicar essa técnica em seus estudos? Além de torná-los menos cansativos, o aprendizado fica mais rico e isso reduz o risco de você esquecer rapidamente o que aprendeu.

5. Fazer fichamentos para entender e revisar

Após assistir a aulas, ler textos e estudar, uma forma de fixar melhor o conteúdo é registrar palavras-chave, conceitos ou mapas mentais em fichas, de acordo com o que entendeu. Para isso, elabore-as separando por matéria. Vale usar canetas de cores distintas para destacar o que é mais importante.

Em seguida, guarde-as em pastas sanfonadas, para que você tenha todas as disciplinas organizadas e possa acessá-las com facilidade posteriormente. Elas lhe ajudarão a resgatar na memória os pontos centrais enquanto as elabora e, também, para fazer revisões rápidas e precisas momentos antes das provas.

Essa é uma das melhores e mais conhecidas técnicas de memorização. Se você nunca a utilizou, chegou a hora de testá-la!

6. Ir da teoria à prática

Você acompanhou todas as aulas, ouviu áudios e leu textos? Muito bem, mas não é o suficiente! Isso porque, nesses casos, o cérebro está apenas recebendo informações, quando na verdade é preciso algo a mais. Ele deve ser estimulado, e, assim, a memória será ativada — o que será possível colocando em prática a teoria aprendida.

Para isso, é fundamental que o estudante busque fazer simulados e questões que envolvam o assunto estudado. Dessa maneira, pode-se observar onde há maior dificuldade e o que foi realmente assimilado.

Vale destacar que essa é uma forma mais dinâmica de absorver o conhecimento, já que não é tão monótona quanto assistir a aulas ou ler textos. Logo, o estímulo para os estudos se renova ao resolver exercícios.

Controlar a ansiedade: entenda por que é fundamental!

Sabe aquele momento em que você, diante de um evento futuro incerto, se sente impotente? Isso pode ser sinal de ansiedade. Ela consiste num estado emocional de agitação física e mental em que a pessoa antecipa um medo, e isso lhe causa sofrimento. Algumas vezes, pode causar:

  • tremores;
  • irritabilidade;
  • taquicardia;
  • dor de cabeça;
  • insônia;
  • dor de barriga;
  • e sudorese.

Isso ocorre devido à maior descarga de noradrenalina, que tem a função de manter o seu corpo em estado de alerta.

Embora seja um sentimento normal, em situações extremas ele pode atrapalhar na preparação para concursos públicos, já que é uma causa para o famoso “branco” que as pessoas têm ao realizar uma prova. Assim, muitas vezes, é possível e até mesmo necessário controlá-lo.

Se você não aprender a controlar a ansiedade, as técnicas de memorização acima não farão milagres. Pense nisso!

3 erros que podem dificultar sua memorização

Na ânsia de aprender rapidamente, muitos estudantes cometem alguns erros que podem ser fatais no processo de memorização do conteúdo. Portanto, para obter um bom rendimento e ótimos resultados nos exames, é preciso mudar alguns hábitos.

1. Ter receio de fazer perguntas

Esse é um medo que muitos alunos têm quando estão em sala de aula. Muitas vezes, por considerarem uma pergunta inadequada ou uma dúvida muito básica, os estudantes deixam de questionar os professores.

Contudo, ser questionador enriquece a aprendizagem. Além de solucionar questões importantes, essa é uma forma de estimular o raciocínio enquanto se aprende a matéria. Outra vantagem de perguntar é que você se mantém concentrado por mais tempo.

2. Ler somente uma vez

Um erro muito comum cometido pela maioria dos alunos é querer aprender tudo de uma só vez. Por isso, muitos pensam (erroneamente) que com uma só lida de um texto aprenderão toda a matéria.

Porém, informações novas não são absorvidas de forma satisfatória já no primeiro contato com elas. Nesse momento, ocorre apenas uma preparação da memória para o novo conteúdo.

A aprendizagem é um processo que exige paciência e repetição. Assim, para assimilar o assunto estudado, é fundamental que você faça quantas releituras considerar necessárias, dando um intervalo de tempo entre elas.

Somente após esse procedimento a matéria será fixada na sua mente de forma efetiva. Fazendo isso, a pessoa pode revisitar termos e conceitos relevantes e, inclusive, esclarecer algo que eventualmente tenha ficado obscuro à primeira vista.

Ademais, enquanto pratica, busque se lembrar da última frase que acabou de ler. Vale também explicar para si mesmo o que foi lido, do seu jeito, sempre que um trecho não ficar muito claro para você.

Da mesma forma, releia as anotações feitas durante a aula, ao término dela. Isso porque, ao absorver o conteúdo, o cérebro trabalha de modo passivo. E, após, é necessário estimular a memória retomando a matéria trabalhada em sala pelo professor.

3. Grifar ou fazer anotações enquanto se lê textos

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, grifar e fazer anotações enquanto se lê um texto não é o melhor jeito de memorizar o assunto que ele traz. Ocorre que, ao fazê-los, o estudante se sente inseguro e busca tão somente “decorar” o que foi grifado ou anotado. Isso é perigoso para a memorização.

Uma maneira mais eficiente é ler e tentar se lembrar da matéria sozinho, sem marcar ou anotar nada. Esse método também lhe fará prestar mais atenção ao que está absorvendo, tendo em vista que não terá aquela certeza inconsciente de que depois poderá retomar o que foi grifado ou anotado.

De fato, o estudo para concursos públicos é um processo trabalhoso, mas o que os exames exigem é preparação. Nesse sentido, saber utilizar a memória pode ser o caminho para você se destacar e, assim, alcançar o tão sonhado cargo público. Por isso, não deixe de colocar em prática essas técnicas de memorização, pois elas serão suas maiores aliadas nessa caminhada!

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